segunda-feira, 5 de julho de 2010

Oito e meio! Federico Fellini..



Ando me sentindo exageradamente poética e inspirada a escrever, principalmente sobre meus filmes favoritos. Toda essa animação se da pela demonstração de interesse por parte de alguns amigos, em conhecer as obras das quais eu tanto falo. Falo, falo e repito, sempre na busca incessante por tentar mudar o mundo cultural das pessoas!

Sim! E não é maluquice minha não, mas é que muito me incomoda quando em meio as pessoas me sinto como se meus gostos, minhas apreciações e meus interesses fossem como algo terrivelmente estranho.

Acho que hoje em dia, cultura para muitos não está na moda. Eu continuo insistindo em ser “démodé” se for esse o caso!

Ele apareceu repentinamente, e eu nunca tinha visto nada do Fellini. Em compensação, já havia lido muita coisa a respeito, mesmo contra a vontade. Acho que falavam tantas maravilhas dele que eu não me sentia preparada para a “experiência”. Então, em meio à minha empreitada pela busca de novas culturas me deparei com Oito e Meio e decidi arriscar. No final do filme a primeira coisa que pensei foi que, realmente, talvez eu não estivesse preparada até bem pouco tempo pra passar pela enchente de sensações e experimentações de Fellini. Mais que isso, pensei que é um filme desses (como acontece com tantas outras coisas) que se deve experimentar de tempos em tempos, com a certeza de novas descobertas.

Sim, Oito e Meio é “uma viagem”. A história parece boba: um diretor com crise criativa, pressionado por família, amigos e colegas a iniciar os trabalhos de seu novo filme. Porém, com todo o surrealismo que se preze, Fellini afoga Guido (Marcelo Mastroianni) em um caldo turvo de lembranças, sonhos e alucinações em busca de sua identidade. A memória, tema ultra-recorrente nos filmes de Fellini – freqüentemente emerge aí o passado do próprio diretor – é tratada com sofisticação artística e virtuose criativa.

Uma obra cativante, assim eu posso definir Oito e Meio. Pensando agora, enquanto escrevo, sobre suas personagens, não me vem uma só que me cause antipatia. Todas são mais que isso, são incrivelmente humanas, reais. O próprio Guido é infiel, instável, freqüentemente estúpido com sua mulher, amigos e colegas de produção; porém se mantém um herói a cada fraqueza sua exibida com as lembranças de criança, com os recorrentes e pequenos arrependimentos que tem no decorrer do filme. No final, a grande celebração é a da complexidade do homem, a louvação da resistência à modernidade e à visão enlatada do ser. O desfecho é um dos mais poéticos a que já assisti.

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