terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quentin tarantino

O que dizer quando perguntam sobre a nova geração de diretores de cinema? Eu respondo: estamos de pratos cheios e servidos de uma maneira nunca antes tão sortida nessa indústria. Os anos passaram, algumas temáticas mudaram e nunca foi tão fácil ser “bom” no meio de tanto marketing, blockbusters e efeitos especiais. Eu como boa apreciadora do cinema antigo, me senti no dever de encontrar almas fazedoras do que possa ser considerada arte ainda nos tempos atuais. A partir dessa deixa, poderia eu encher páginas e mais páginas sobre esses “salvadores”, não obstante citarei apenas um: Quentin Tarantino, o diretor nerd e mais Cult de todos os tempos e, com certeza, um dos mais injustiçados dentre todos. Amante de quadrinhos, filmes de kung fu, anime, “gangsters”, “westerns” e da cultura pop, ator, diretor, roteirista, dentre outras funções, o polêmico diretor de filmes como Kill Bill e Pulp Fiction que possui um HD de filmes no lugar do cérebro conseguiu unir o pop ao Cult num estilo totalmente inovador. E qual a sua fórmula? Bom, além da óbvia – unir os já citados gostos em um único filme? O anacronismo marcante em todas as suas obras, ocasionando uma espécie de quebra-cabeças o qual só se soluciona ao término. Os diálogos mais do que bem elaborados e inesquecíveis – como a cena do Jules (Samuel L. Jackson) em Pulp Fiction, citando a bíblia, ou a conversa do mesmo com Vincent Vega (John Travolta) sobre massagens – entre personagens criativos e sempre interpretados por bons atores? A grande quantidade de palavrões e sangue? Suas trilhas sonoras sempre perfeitamente encaixadas? Certamente todos esses atributos lhe renderam obras ainda subestimadas pela academia – péssima academia, diga-se de passagem – mas que marcam a muitos que as assistem. Infelizmente, eles ainda o consideram um infantilóide pelas suas temáticas e exageros de sangue, mas esse é o seu estilo – Kill Bill, o seu filme mais sangrento, é talvez o maior misto do próprio. Se fosse diferente, não seria Quentin Tarantino. Por isso não direi “um dia ele conseguirá o seu espaço”. Talvez consiga, mas esse não é o ponto, pois o Oscar é pura política. Além do mais, outros prêmios já se renderam ao seu cinema, como Cannes. Tarantino é, sem dúvida alguma, um dos grandes da indústria do cinema contemporâneo com muito mérito e louvor, sem ser rebaixado humilhantemente por nenhum outro. Ah, e sinto muito aos “pulpfictionianos”, mas Bastardos Inglórios é o seu filme mais bem trabalhado e sua obra prima até hoje, mesmo não seguindo a linha dos anteriores, quebrando a cara dos puristas que duvidavam do seu potencial. Para quem ainda não conhece fica a dica!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Má Educação - Pedro Almodóvar

Existem filmes em que basta apenas uma boa referência para carregar multidões às salas de cinema. “Um filme de Steven Spielberg”, “Produzido por Jerry Bruckheimer”, ou “Estrelado por Jack Nicholson” ou qualquer coisa com os lábios e pernas de Angelina Jolie são destaques do mês. Elevado à categoria de grandes astros, Pedro Almodóvar é hoje um desses grandes diretores: basta assinar a película para ter um bom tanto de ingressos garantidos. Mais do que isso, Má educação (La mala educación, 2004) é um filme forte que retrata abusos sexuais cometidos por padres na Espanha. O cineasta entrou no jogo dos rótulos. Disse que o filme caberia melhor na gaveta de cine negro, já que a trama desemboca em mistérios e mortes típicos do noir - gênero inclusive citado em pôsteres no desenrolar da história.

Acontece que, dada à complexidade do cinema do espanhol, todaetiqueta parece limitada. Má educação é um filme-denúncia, sim, mas está longe de ser só isso. O próprio Almodóvar já havia esculhambado a igreja em Maus hábitos (Entre tinieblas, 1983), de forma muito mais direta e ostensiva, também não é apenas filme noir, já que o lado policialesco se instala só a partir da metade da projeção – e também de forma mais tímida do que nos filmes mais rasgados do diretor.

Seria mais oportuno ver ‘Má educação’ do ponto de vista da sexualidade. A grande maioria dos seus filmes são femininos. Os atores Javier Bardem, Antonio Banderas e Jávier Cámara são minoria num universo sempre devotado às mulheres. Travestis costumam ser, em suas obras, almas delicadas presas em corpos inconvenientes. São a última trincheira da sinceridade e da idealização, mas não aqui!

O travesti vivido por Gael García Bernal é opaco, meramente a consequência de uma desilusão. Se há uma particularidade neste décimo-sexto longa de Almodóvar, é o fato de ser, antes de mais nada, um amargo filme masculino.

Suspeite dos romantismos de Ignacio (Bernal) quando este reencontra, por acaso, numa cama de hotel, Enrique (Fele Martínez). Pense na emoção, na esperança, como utopias ficcionais. Esses substantivos femininos têm pouco a ver com a dura realidade destes dois rapazes que se amaram na infância. Enrique virou cineasta e se surpreende com os modos afetados de Ignacio. Estranha quando o antigo amigo lhe traz um roteiro autobiográfico sobre os dias incertos que viveram no colégio católico. Mas mesmo assim decide fazer esse filme. É a chance de lavar velhas feridas e entender o novo Ignacio.

A metalinguagem se encaixa muito bem nas intenções de Almodóvar. Denunciar a pedofilia do padre que se apaixonou por Ignacio e puniu Enrique seria fácil – hoje em dia, até óbvio. O espanhol prefere mostrar como os abusos marcam a vida adulta de seus personagens e, por extensão, a sua vida e a sua própria carreira.

Como Enrique, ele se amparou no cinema para se defender, mas isso não impede que, ao tratar do tema, se revele azedo e magoado. Você poderá constatar depois de algumas reviravoltas: a face ora bela ora monstruosa de Ignacio diz muito da separação que Almodóvar enfim promove entre realidade e ficção. O diretor que adotou o brega e o kitsch como fantasia para maquiar o mundo agora faz a autocrítica. Ele, que sempre se identificou com feminices, expõe o seu coração doído de homem.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Morre Abbey Lincoln , a última dama do jazz


A cantora e compositora de jazz americana Abbey Lincoln , conhecida por seu ativismo político e seu compromisso com as minorias, morreu neste sábado (14), aos 80 anos, em Nova York, informou seu irmão à imprensa local.

Segundo o jornal "The New York Times", o irmão da última grande dama do jazz, David Wooldridge, confirmou que a cantora morreu em Manhattan.

As causas de sua morte não foram reveladas, embora Abbey Lincoln tivesse a saúde delicada desde que foi operada do coração em 2007.

A cantora foi personagem controvertido por seu compromisso com os direitos humanos e raciais nos anos 60 nos Estados Unidos. Nessa época teve sucesso também no cinema, e, depois, se aposentou. Mas ela reapareceu com força na década de 1990 como cantora, compositora e líder espiritual.

Abbey contracenou com Ivan Dixon, em 1964, no drama racial "Nothing but a man" e com Sydney Poitier, em 1968, em "Um homem para Ivy".

Sua música foi derivando desde os experimentos mais estridentes e rupturistas do africanismo militante rumo a um repertório predominantemente de baladas, com uma doce suavidade inspirada em Billie Holiday.

Entre seus últimos discos estão "The world is falling down" (1990), "Devil's got your tongue" (1993), "A turtle's dream" (1995) e "Who used to dance" (1996).

A cantora nasceu Anna Marie Wooldridge em Chicago, no dia 6 de agosto de 1930, e cresceu na área rural de Michigan como a décima filha de uma família de 12 crianças.

Atraída desde jovem pela música se mudou para Los Angeles aos 19 anos, onde começou sua carreira. Seu último disco, "Abbey sings Abbey", foi gravado em 2007, aos 77 anos

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Respostas...


E então eis que surge a questão:

- Cálido ou Casto? Qual real natureza desse sentimento?

Olhos petrificados... Coração na mão! O que poderia Eu responder?
Fitei a boca trêmula de quem perguntava. Um inquisitor? Uma alma assustada?
Não se sabe... Como não cabe respoder a [natureza] do dito amor!

Se cálido ou casto...

Nunca saberei.
... O meio termo jamais encontrei!

Ficou no ar o peso trágico...
O sabor amargo!
Da resposta que jamais dei!.

Ana Pampanelli

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CASABLANCA!



Quando o assunto é cinema, fica difícil nunca se ter ouvido falar de Casablanca. Este é o único filme que já vi roubar o posto de Cidadão Kane em algumas listinhas por aí. Não é à toa. Assim como exemplos de filmes que já resenhei antes, que servem de base para gêneros no cinema por décadas, o filme de Michael Curtiz tem elementos suficientes para servir de referência como romance. Aliás, um romanção.

Não se faz com facilidade essa espécie de romance, que consegue tratar de um amor clássico, doentio, mesmo ultrapassado, sem se tornar piegas e apelativo. Para tal feito, Curtiz se serviu de uma comovedora história, ambientada durante a Segunda Guerra Mundial e seus efeitos desastrosos na condição humana do século XX, e do charme dos atores principais, o galã feio Humphrey Bogart e a bela Ingrid Bergman. O resultado é impressionante. A série de cenas memoráveis, os diálogos inteligentes e As Time Goes By nos sugam para dentro dos sentimentos de Rick e Ilsa. Mas isso ganha um aporte na atmosfera de desespero da Segunda Guerra, em uma cidade tomada por pessoas que, fugindo da destruição européia e do nazismo, tentam seguir em frente com o que lhes resta – muito pouco.

Incrível pensar na forma como os roteiristas trabalharam no filme – baseado inicialmente em uma peça de teatro – dada a dimensão dramática coesa e inteligente do resultado final. O roteiro era escrito e reescrito por Julius e Philip Epstein – com a colaboração de Howard Koch – nas vésperas das filmagens, tornando a discussão sobre os caminhos que seriam dados à obra quase pública. Ingrid Bergan chegou a comentar tempos depois: “todos os dias nos entregavam diálogos e tentávamos pôr algum sentido naquilo”. Não é uma declaração exagerada, e faz pensar que a história sobre o roteiro de Casablanca também poderia ter dado um ótimo roteiro.

A última grande polêmica no roteiro foi sobre seu final. E o cinema agradece até hoje pela sábia decisão tomada – não sei quem ganhou a discussão, mas ganhou pela vida inteira – de se deixar Rick a ver navios (um avião, no caso).

O filme é datado de 1942 e devo dizer, não houve até hoje nada, nem ninguém que lhe tirasse o posto de melhor romance de todos os tempos.


Para quem conhece a obra, pode confirmar o quanto suas cenas eternizadas e no Marrocos emocionam e cativam, deixando seus telespectadores com vontade de amar. Aos que ainda não tiveram tamanho prazer, fica a dica de uma verdadeira história de amor.