Aqui vão 12 imperdíveis filmes com grupos de criminosos dos mais diversos tipos e estilos. Só deixamos a saga O Poderoso Chefão de Copolla de fora da lista, porque já virou obrigatória e hour-concour, portanto se você não viu, não merece nem ler o resto.

1. Scarface, A Vergonha de uma Nação (1932): todo mundo fala da versão de Al Pacino, mas Howard Hawks chocou os EUA com um filme tão violento que ficou dois anos na gaveta esperando ser liberado pela censura (conseguiu mas com um texto alertando para o fato de que o crime é ruim). Paul Muni é Tony Camonte, criminoso que ascende ao topo de um bando de gangster depois de matar seu chefe. Para completar tinha uma paixão incestuosa pela irmã, envolvida com um de seus homens de confiança, George Raft (que acabou criando um dos personagens mais marcantes do filme, o gangster que jogava uma moeda para cima e para baixo. Até o Pernalonga o imitou).

2. Fúria Sanguinária (1949): outro clássico imperdível e estrelado pelo grande ás do gênero, o baixinho enfezado James Cagney (que na verdade era um exímio bailarino e sapateador, mas ficou marcado pelos tipos brutos que interpretou em filmes de gangster). Ele é Cody Jarret, um psicótico líder de gangue com um complexo materno que deixaria Freud louco. A sequencia final, após a fuga da cadeia, com Cagney no alto de um tanque de combustível gritando “veja mamãe, cheguei no topo do mundo” é uma das mais marcantes na história de Holywood.

3. Onze Homens e um Segredo (1960): a refilmagem com Clooney e seus amigos é bem simpática, mas a versão original com o famoso Rat Pack de Frank Sinatra (com Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop) tem um estilo inconfundível de uma época que não volta mais, além de um final completamente inesperado e que dificilmente alguém teria coragem de colocar em um filme atual (Steven Soderbergh não teve).

4. À Queima Roupa (1967): o sempre durão Lee Marvin em mais uma parceria com o diretor inglês John Boorman (os dois fizeram o incrível Inferno no Pacífico juntos) na história de um criminoso que busca vingança contra a ex-esposa e o ex-parceiro e procura recuperar sua parte proveniente de um antigo assalto, enquanto enfrenta uma poderosa organização criminosa, disfarçada de operação legal. Reconheceu a história? Foi refilmada com Mel Gibson como O Troco. Um dos filmes favoritos de Martin Scorcese.

5. Laranja Mecânica (1971): não é preciso o paletó e o sotaque italiano, nem mesmo localizar a história nos EUA para se fazer um filme sobre gangues. Stanley Kubrick adaptou o livro de Anthony Burgess um jovem deliquente, Alex de Large, que com sua gangue aterroriza os pobres ingleses do futuro e, capturado, aceita fazer parte de um programa de reabilitação experimental que leva a uma aversão à violência (e a Bethoven) por parte do paciente. Você nunca mais vai relacionar a música “Cantando na Chuva” somente com Gene Kelly depois desse filme.

6. Warriors – Selvagens da Noite (1979): fantasia transadíssima do diretor Walter Hill que causou tumulto entre gangues reais no cinema na época do lançamento, mas hoje parece até história em quadrinhos filmada. A cidade de Nova York é palco de um conclave de gangues com nomes geniais (The Furies, The Boppers, The Hi-Hats, The Lizzies, The Turnbull AC’s, The Gramercy Riffs) e depois de serem acusados de ter matado o líder da maior delas, o pessoal do Warriors deve fugir do Bronx a Coney Island e escapar da fúria de cem mil inimigos.

7. Era uma vez na America (1984): Sergio Leone deixou o faroeste de lado para fazer a lírica e trágica saga de uma gangue de judeus no bairro de East End de Nova York, desde a era da Lei Seca nos anos 1920 até o reencontro da turma nos anos 1960 e ainda contou com os talentos de Robert De Niro, James Woods, Joe Pesci e da sempre estonteante Jennifer Connely, então com apenas 14 anos de idade. Destaque para a música belíssima de Ennio Morricone.

8. Cães de Aluguel (1992): o filme de estréia de Quentin Tarantino conseguiu revolucionar o gênero, aliando elementos antigos e esquecidos dos filmes clássicos com inovações como história não-linear e personagens marcantes, mas sem nome (somente apelidos como Sr. Black, Sr. Pink etc), numa história sangrenta sobre um assalto a uma joalheria. Contar mais é entregar o filme. Obviamente que depois de assistir esse, é obrigatório ver Pulp Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios e entrar em eternas discussões sobre qual é o melhor filme do diretor.

9. Os Suspeitos (1995): talvez uma dos mais brilhantes usos de linguagem cinematográfica no cinema americano, brincando com o fato de que você é um espectador. Dirigido pelo então estreante Bryan Singer (X-Men) e magistralmente estrelado por Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Kevin Pollack, Chezz Palminteri e Kevin Spacey (que ganhou o Oscar de ator coadjuvante), é um daqueles filmes onde você nunca vai poder contar nada, especialmente o final ou perde a graça. Se não viu, compre já e assista com um grupo. Em tempo, o nome original,The Usual Suspects vem de uma frase de Casablanca, “round up the usual suspects” (prenda os suspeitos de sempre).

10. Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998): o filme que lançou Guy Ritchie (ex-Sr. Madonna) na direção e os brutamontes Jason Statham (Adrenalina) e Vinnie Jones (60 Segundos) como atores. Quatro pobretões londrinos acabam devendo meio milhão de libras depois de um mal sucedido jogo de poker e tem uma semana para recuperar o dinheiro. Enquanto isso, o filme desfila os tipos mais estranhos possíveis, como Harry “Machadinha”, Barry “Batista” e Nick “o Grego” das mais variadas gangues com os mais variados sotaque. Ritchie acabou repetindo a fórmula depois no genial Snatch – Porcos e Diamantes e recentemente no divertido Rock’n'rolla - A Grande Roubada.

11. A Outra História Americana (1998): um filme que aborda um outro tipo de gangue, aquela movida por ódio racial. Um Edward Norton sarado faz um ex-líder de um grupo de neo-nazistas skinheads, que depois de cumprir pena por assassinato busca a todo custo tirar seu irmão menor (Edward Furlong de O Exterminador do Futuro II) do mesmo caminho que ele seguiu. Destaque para a chocante cena da morte do desafeto de Norton no meio-fio e da reconstrução do personagem dentro da penitenciária.

12. Cidade de Deus (2002): não é ufanismo, nem repetição, mas não dá mais para se falar em filmes de gangue ou de crime sem citar o classicão de Fernando Meirelles. Se você duvida cheque o IMDB, maior site de cinema do mundo. O filme aparece em 19o lugar entre os 250 melhores filmes já feitos e em sétimo no gênero “crime”, e isso por votação dos gringos. A história você já conhece: na famosa favela carioca, moço que se esquentava quando chamado de Dadinho, domina o crime local e começa a combater outras gangues, enquanto acaba criando seus maiores inimigos. E ainda nos faz pensar que se aqui fosse Holywood, alguém já teria a idéia de fazer Zé Pequeno versus Capitão Nascimento, o filme.