sábado, 29 de janeiro de 2011

A Rede Social



Ambição, inteligência e um pouco de sorte são os principais componentes para a criação do Facebook, pelo menos é isso que se vê em A Rede Social.
O filme é baseado no livro Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich, e mostra como a ambição de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) o levou a criar a maior rede social da Internet.
Segundo o filme, Zuckerberg criou o Facemash, um site que comparava as fotos de universitárias em que as pessoas as classificariam em "hot or not". Isso fez com que ele fosse advertido pela Universidade, mas lhe deu visibilidade para que os irmãos Winklevoss (Armie Hammer) o convidasse para criar um site de relacionamento em que só participariam alunos de Harvard. Mark Zuckerberg consegue algum dinheiro de seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) e o nomeia diretor financeiro do Facebook.
Mas o grande destaque do longa é Justin Timberlake que interpreta Sean Parker o fundador do Napster. É ele quem mostra o potencial do novo negócio que está surgindo. Ao mesmo tempo ele toma o espaço de Saverin. Fica a impressão que Saverin é a vítima da história e que Zuckerberg e Parker os vilões.
A direção de David Fincher mostra o enredo de maneira alternada entre acordos com advogados e fatos passados, o que deixa A Rede Social, ágil afinal são 122 minutos que passam rápido.
Fui assistir o filme motivada por críticas muito favoráveis e algumas que até apontavam A Rede Social como o melhor filme de 2010. Um bom filme, com boa direção, mas longe de ser o melhor do ano passado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fernando Pessoa!


Dono de uma personalidade ímpar, de uma alma psicológica plural, misteriosa e mística, Fernando Pessoa tornou-se o maior poeta de língua portuguesa. Senhor absoluto da beleza das palavras e das verdades da essência humana, a sua poesia atinge a todos, sem distinção de raças ou classes sociais. A sua mensagem é de identificação universal, tocando de forma indelével a sensibilidade humana.
Considerado ao lado de Pablo Neruda, o maior poeta do século XX, Fernando Pessoa foi um dos responsáveis para que a cultura portuguesa atingisse o mundo contemporâneo, dando mais fama à literatura do seu país do que o próprio Luís de Camões. O mundo inteiro rende-se à sua poesia.
Fernando Pessoa dividiu a sua obra com vários personagens que criou, dando-lhes nome e personalidades distintas. Os chamados heterônimos, o médico Ricardo Reis, o camponês Alberto Caeiro e o engenheiro Álvaro de Campos, entre os mais famosos, foram vozes poéticas saídas da genialidade do poeta, que enriqueceram a sua obra grandiosa.
Sendo o poeta mais lido da língua portuguesa, com uma obra traduzida com sucesso em diversas línguas, Fernando Pessoa viveu uma vida discreta, sem histórias de amor registradas, sem fatos escandalosos ou dramas pessoais. Conviveu com artistas do modernismo português, como Almada Negreiros e Sá Carneiro. Para sobreviver trabalhou no comércio, como tradutor e, como colaborador de agências publicitárias. Justificava as profissões paralelas à sua escrita dizendo: “Ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação”. Sua personalidade enigmática venceu a discrição de vida, explodindo na beleza da sua obra.
Ironicamente, Fernando Pessoa só publicou um livro em vida, “Mensagem”, um conjunto de poemas dedicados aos heróis portugueses, e ao sonho máximo do sebastianismo: o Quinto Império. O livro trazia umas trinta páginas, um nada diante dos vinte e cinco mil manuscritos que deixou, em parte por classificar, dentro da sua mítica arca.
Fernando Pessoa morreu aos 47 anos de idade. Sua morte não causou comoção, pois era um quase desconhecido. Sua obra, aos poucos, foi sendo tirada da arca mágica e descoberta pelo mundo. Da poeira dos manuscritos, revelou-se um mundo deslumbrante e infinito na grandeza da alma humana. Ainda hoje, poemas inéditos continuam a emergir dos baús. Sua personalidade, quanto mais lida a obra deixada, isola-se em um patamar inatingível, em um magnetismo misterioso inabalável. Pessoa não só fez parte do gênero humano, mas foi a sua própria essência da alma.

Dedico o post de hoje a um alguém muito especial. Alguém ama os livros e ama à Fernando pessoa. Alguém que chegou a tempos, e agora mesmo um pouco distante, como uma estrelinha ainda brilha no meu coração.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Gal Costa - A musa de qualquer estação


O mais bem sucedido disco comercial da carreira de Gal Costa, com vendas que assolaram não só o mercado brasileiro, mas também o internacional, trazia um sofisticado repertório que se viu eclipsado e vincado pela mítica “Um Dia de Domingo”, dueto antológico da cantora com Tim Maia, considerada pelos críticos mais austeros a grande mácula brega no repertório galcostiano, sem justiçar a bela arquitetura sonora de um álbum eclético.
Lançado em plena virada que mudaria a face da MPB ante ao grande público, em 1985, Bem-Bom é a síntese dessa mudança, onde o tradicional toque bossanovista dava passagem para o popularesco, que por sua vez, fecharia a década de oitenta de portas abertas para os movimentos do axé e do pseudo- sertanejo. Bem-Bom, cumpre esta função ao diluir nas suas faixas o novo rock que se desenhava, trazendo autores então incipientes como Cazuza, consolidando a Bossa Nova que se estreitava naquela década, o velho rock psicodélico pós Tropicália de Waly Salomão e, principalmente, o romantismo exacerbado que abriria passagem para as bem sucedidas duplas sertanejas vindouras, através da coragem de gravar Michael Sullivan e Paulo Massadas, a dupla mais registrada por grandes intérpretes da MPB naquela década, hoje marginalizada e datada pela crítica e pelo público.
Bem-Bom demarcava os quarenta anos de Gal Costa, na época estrela absoluta da MPB, trazendo um vigor estonteante, uma extensão vocal que beirava o viés da perfeição. Idealizado pela cantora e pelo genial Waly Salomão, mostra-se eclético, moderno e tradutor da essência de uma década, muitas vezes injustiçada pelas novas gerações, que da época só viram o exagero das cores new wave. Erroneamente identificado como o disco de “Um Dia de Domingo”, é um dos registros mais ousados da cantora, que passa por Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos, Milton Nascimento, Djavan, Gonzaguinha e Marina Lima, trazendo uma sensível beleza técnica de uma das maiores vozes do mundo. Bem-Bom, quem comprou o álbum na ânsia de um apelo popular, deparou-se com um sofisticado repertório, longe de ser alcançado pelos milhões de ouvintes que o levou para casa. O disco é a sutil tradução de uma década, sem jamais ficar preso a ela.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PicNic (Férias de Amor)


Há certos filmes que marcam por pequenos detalhes na composição da história contada. A química entre os protagonistas, a beleza da imagem, a sutileza na contravenção dos costumes, um certo romantismo realista, onde o que se propõe é contar uma grande história de amor. “Picnic”, ou “Férias de Amor” na tradução brasileira do título, de Joshua Logan, reúne estes detalhes que lhe dão a dimensão de uma doce e contundente narrativa, satisfazendo o espectador, que ao final, tem a certeza de ter assistido uma boa história, sem a pretensão das grandes produções, ou do filme cultuado.
William Holden, apesar de ser criticado na época por ter dez anos a mais do que a personagem, compõe um sensual, sedutor e atormentado Hal Carter, numa interpretação única, que, ao longo do tempo, vem sendo reconsiderada pelos que se lhe admiram a obra. Kim Novak é de um esplendor mágico,sendo irradiada por sua infinita beleza juvenil. Juntos, os atores compõem um dos mais belos casais românticos do cinema dos anos cinqüenta.
Picnic” é o retrato absoluto de um modo de vida da sociedade do interior dos Estados Unidos naquela década. A beleza da fotografia, realizada por James Wong Howe, é realçada pela excelente trilha sonora, com efeitos que sublinham a tensão e a emoção ao fim de cada frase, de cada diálogo mais intenso, dando uma dramaticidade visual que se remete clímax teatral. A atmosfera sensual paira no ar, em um erotismo sutil, que subverte os costumes da época, revelados na antológica cena de dança de Hal e Madge; no dorso nu de William Holden; na seminudez de Kim Novak nos vestiários. O torpor irradiado entre o casal que durante todo o filme tentam fugir da atração irremediável que os impele, faz com que se espere o beijo a cada cena, a cada olhar sutilmente trocado, cada sedução, num ápice final irreversível.
Picnic” é um clássico do filme romântico, é daqueles filmes que longe de querer ser mítico, mantém um ritmo que prende o espectador até a última cena, trazendo ao final, a satisfação de que se assistiu a uma agradável história, com uma emoção à flor da pele. Faz-nos sonhar com os anos cinqüenta, com as belezas sedutoras extintas pelo tempo de William Holden e Kim Novak, em um momento que se eterniza a juventude através da imagem. É, acima de tudo, uma belíssima e comovente história de amor.