segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quem desce do morro não morre no asfalto...

Entre os anos 70 e 80, Morais Moreira, junto com Caetano Veloso, Armandinho, A Cor do Som e Pepeu Gomes, ajudaram a projetar o carnaval baiano para o resto do Brasil. Guitarra eletrizante, solos sensacionais que ficaram gravados na memória do brasileiro que parava onde estivesse pra ouvir. E, se pudesse, saía dançando. Letras lindas que diziam mais do que podiam, às vezes driblando a censura, com muita poesia. Era um carnaval extasiante que, visto de baixo dos trios-elétricos, tinha a cara de Dodô e Osmar. Visto de cima, tinha a cara de quem acabava de chegar com muita energia pra viver o melhor da vida. Saudosismo meu, pode ser. Se eu tivesse trinta anos a mais, talvez estivesse lamentando a falta das marchinhas, dos bailes de salão, do confete e da serpentina. E, daqui 20 anos, alguém há de lamentar a falta de Ivete Sangalo e Daniela Mercury no carnaval baiano/brasileiro.
Sinto falta de alguma coisa que se perdeu em algum lugar. Sinto falta do velho carnaval da Bahia, que eu nem cheguei a ver de perto, mas que influenciou a minha tradução dessa festa. Sinto falta dos becos mineiros, de ouvir Estrela de Madureira nos botecos. “Do cavaco, do pandeiro e do tamborim”. Sinto falta dos belíssimos sambas-de-enredo que as escolas cariocas apresentavam. E o curioso é que onde está o bom samba ou frevo de carnaval se vê gente animada de todas as idades, descobrindo ou relembrando as maravilhas que essa música tem. Menos no carnaval. Onde será que ele se esconde nessa época? Será que sai de casa para alugar os quartos e ganhar dinheiro? Morre no asfalto?
O máximo que se pode ver é o pessoal do Axé abrindo espaço para a velha guarda, em homenagens mais que merecidas, mas que a colocam onde não lhe convém: em um quadro amarelado na parede. O máximo que se vê são os blocos diurnos do Rio de Janeiro: Banda de Ipanema, Cacique de Ramos, Sovaco do Cristo e Monobloco, resistência do bom samba que, felizmente, a cada ano arrasta mais gente. É a Orquestra Imperial no pré-carnaval. E tudo isso é sucesso. Menos na nata do carnaval. Só por curiosidade, o Morais Moreira, que escreveu uma belíssima página de nossa história musical, foi tratado há pouco tempo por uma revista de celebridades como "o pai (também músico) de Davi Morais (ex-namorado de Ivete Sangalo)". E esta foto aí não tem nada a ver com Carnaval, mas foi a melhor dele que eu encontrei no Google. Se tem alguém que não o conhece (vai saber), ele é quem está entre Fagner e Zé Ramalho. E, em primeiríssimo plano, está Jackson do Pandeiro, que foi influência para os três e para muito mais gente. “Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça!” Tão lindo isso. E faz tanto sentido quando o que se quer é dividir o máximo de emoção e de alegria dos velhos carnavais. Este ano, vou procurar minha turma num baile da terceira idade.

Mas por enquanto vou me guardando pra quando o carnaval chegar....

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O meu malvado Favorito!




Faz um bom tempo que a ‘fórmula’ Disney, e depois refeita pela Pixar, acabou nos cinemas, onde os heróis eram salvadores da pátria, a princesa indefesa ficava a espera de salvação e os diabólicos vilões maquinavam seus planos perversos. Hoje em dia, as animações para telona deixaram de ter como público-alvo as crianças , e passaram a desenvolver mais seus roteiros para ganhar os pais acompanhantes. A própria Pixar faz isso maravilhosamente bem, colocando pontos fortes em uma história e deixando um pouco o alívio cômico – e criaturas bizarras – para os ‘baixinhos’.

O cinema atual se aproveita das duas fórmulas e não faz feio para ninguém: alimenta os sonhos infantis e coloca uma história envolvente e dramática em tudo. Foi assim com a DreamWorks e seu Shrek; foi assim com a Blue Sky Studios e seu Era do Gelo. Mas seria possível entrar nesse ramo sem bater de frente com todos os envolvidos? E se sair bem?

Respondo com uma certeza absoluta e agora mesmo:sim!

Meu Malvado Favorito (Despicable Me, no original) é a animação de estreia da novata no mercado,Illumination Entertainment, empresa fundada pelo ex-presidente da 20th Century Fox Animation, Chris Meledandri, responsável pelos clássicos: A Era do Gelo (distribuidora), Simpsons – O Filme, Robôs, entre outros. Então, nada melhor do que confiar em uma pessoa que conhece o gênero das animações e aposta alto para seu sucesso.

Gru é um vilão diabólico (olha a referência!) que enfrenta qualquer coisa para fazer o que sabe de melhor: roubar… filas e vagas de estacionamento. No filme, descobrimos que alguém anda roubando os monumentos históricos e Gru, na sua melhor forma, só consegue congelar pessoas e ganhar um café mais rápido. Sabendo do caso, e de quem está por trás do mistério, ele resolve promover o maior roubo de todos:encolher a Lua. Mas ele precisa de um pequeno empréstimo no Banco dos SuperVilões para construir seu foguete e usar sua máquina encolhedora.

Nesse meio tempo de espera, Gru conhece Vector, o mais novo supervilão do pedaço, que lhe rouba a arma para encolher a Lua e foge para sua casa cheia de armadilhas. Com o tempo do empréstimo se esgotando, Gru vigia a casa de Vector e bola um plano perfeito: adotar as três pequenas meninas que sempre vendem doces na porta de seu rival, para que elas, Margo, Edith e Agnes, o ajudem a roubar de volta a arma encolhedora e assim realizar o roubo da Lua. Não preciso nem dizer que as três meninas irão mostrar a Gru o quanto é importante ter – e ser - uma família feliz, fazendo-o lembrar de seu passado triste e conquistando um espaço reservado no coração gelado do vilão.


Vale destacar também, que o filme foi pensado para o 3D, não o‘mágico 3D’ que todos dizem, mas aquele que personagens pulam na sua frente, objetos voam na direção da plateia e as animações ficam mais ricas e fantásticas para as crianças. Pude perceber isso apenas no final do filme (que assisti em 2D mesmo), quando aparece um curta-metragem com os Minions. Nele, os bichinhos amarelos estão a beira de um penhasco e por serem malucos demais, tentam de qualquer forma chegar mais longe do que o outro, utilizando escadas, varas de pesca, andaimes. Tudo em direção ao público e ali, com os óculos de 3D, ficaria muito mais divertido.

A história do filme pode parecer confusa, mas durante os 30 primeiros minutos, vemos tudo isso de uma forma colorida, com ações já esperadas e claro, muita diversão. Destaque para os ajudantes de Gru, os Minions: eles são tão espertos quanto o dono e arrancam boas risadas do público, além de fazer a festa da criançada. Assim com o trabalho muito bem feito da Illumination em trazer uma história nova, personagens marcantes, sem parecer repetitiva e no final, não mudar o rumo do ‘Felizes para Sempre’, Meu Malvado Favorito apresenta em uma hora e vinte minutos o porque da magia de três menininhas em um vilão todo negativo.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nova Categoria: Curtas!

Andei analisando o blog, e percebi que em meio aos poucos posts que eu escrevi ao longo desse quase 1 ano aqui, eu não mencionei nenhum curta metragem. Como é possivel, eu que sempre levantei a bandeira para incentivo de curtas, não ter falado de nenhum.
Pois bem, os tempos do blog mudaram! Trarei aqui para vocês sugestões , e tentarei mostrar que longe do glamour das grandes películas, também conseguimos encontrar grandes histórias.

"DEDICATÓRIAS": CURTA METRAGEM BASEADO NO "SONETO DA SEPARAÇÃO", DE VINICIUS DE MORAES

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente não mais que de repente".
(Vinicius de Moraes)

Assita ao curta:


Gênero Ficção
Diretor: Eduardo Vaisman
Elenco: Carlos Gregório, Elias Andreato, Tuca Andrada, Zezé Polessa
Ano: 1997
Duração: 15 min
Colorido
Bitola: 35mm
País: Brasil


Ficha Técnica
Produção: Paola Vieira
Fotografia: Marcelo Duarte
Roteiro: Flávia Lins
Edição: Ana Teixeira
Som Direto: José Moreau Louzeiro
Direção de Arte: Cláudia Veloso, Pricilla Lopes
Trilha original: André Weller
Câmera: André Horta
Figurino: Luiza Marcier

Prêmios
Melhor Atriz no Festival de Brasília 1998
Melhor Atriz no Festival de Gramado 1998
Melhor Atriz no Festival de Vitória 1998
Melhor Ator no Festival do Rio BR 1998
Melhor Atriz no Festival do Rio BR 1998
Melhor Diretor no Festival do Rio BR 1998