terça-feira, 14 de setembro de 2010

O samba de Teresa Cristina


Carreiras tem caminhado em marcha lenta, quando não ficam estagnadas, por conta da sede da indústria fonográfica por projetos ao vivo. O de Teresa Cristina, O Mundo é meu Lugar, foi lançado nos formatos de DVD (foto) e CD ao vivo. Fiquei imensamente lisonjeada com o presente recebido de meu querido amigo Rafael, enviado diretamente do Rio de Janeiro, o melhor lugar para se ouvir samba nesse país, lugar esse onde tive o prazer de conhecer o samba de Teresa. Mesmo apreciando seu trabalho, devo dizer que a cantora e compositora soa inevitavelmente redundante neste seu terceiro trabalho - simplesmente porque ainda era cedo para lançar um registro de show. Teresa tem apenas dois discos - o tributo duplo A Música de Paulinho da Viola e o autoral A Vida me Fez Assim - e se viu obrigada a rebobinar o repertório destes trabalhos, com algumas poucas novidades. Uma delas é a inédita Pra Cobrir a Solidão, parceria da compositora com Zé Renato. Trata-se de um tipo de samba mais interiorizado que evoca (de longe) a densidade da produção de Paulinho da Viola.

No mais, há sambas inéditos na voz da cantora - casos de Com a Perna no Mundo (do Gonzaguinha politizado dos anos 70) e de O Meu Guri, o pungente retrato da infância abandonada esculpido por Chico Buarque em 1978. Mas nem tudo seduz. Ainda tímida no palco, Teresa Cristina não é a intérprete mais talhada para apresentar os dramas buarquianos. Falta no seu registro de O Meu Guri a força e a emoção contidas nas gravações de Beth Carvalho e Elza Soares. Por isso mesmo, soa assustadora a notícia de que o próximo disco de Teresa poderá ser dedicado à obra de Chico, já tão vasculhada por cantoras mais intensas.

Apesar do caráter precoce deste projeto ao vivo, o saldo é positivo. O Grupo Semente é luxo só, o bom gosto do repertório é indiscutível e o DVD ainda traz, de quebra, o ótimo documentário Dona de Casa me Dá Licença, em que a cantora refaz sua trajetória artística.

Nenhum comentário:

Postar um comentário