quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CASABLANCA!



Quando o assunto é cinema, fica difícil nunca se ter ouvido falar de Casablanca. Este é o único filme que já vi roubar o posto de Cidadão Kane em algumas listinhas por aí. Não é à toa. Assim como exemplos de filmes que já resenhei antes, que servem de base para gêneros no cinema por décadas, o filme de Michael Curtiz tem elementos suficientes para servir de referência como romance. Aliás, um romanção.

Não se faz com facilidade essa espécie de romance, que consegue tratar de um amor clássico, doentio, mesmo ultrapassado, sem se tornar piegas e apelativo. Para tal feito, Curtiz se serviu de uma comovedora história, ambientada durante a Segunda Guerra Mundial e seus efeitos desastrosos na condição humana do século XX, e do charme dos atores principais, o galã feio Humphrey Bogart e a bela Ingrid Bergman. O resultado é impressionante. A série de cenas memoráveis, os diálogos inteligentes e As Time Goes By nos sugam para dentro dos sentimentos de Rick e Ilsa. Mas isso ganha um aporte na atmosfera de desespero da Segunda Guerra, em uma cidade tomada por pessoas que, fugindo da destruição européia e do nazismo, tentam seguir em frente com o que lhes resta – muito pouco.

Incrível pensar na forma como os roteiristas trabalharam no filme – baseado inicialmente em uma peça de teatro – dada a dimensão dramática coesa e inteligente do resultado final. O roteiro era escrito e reescrito por Julius e Philip Epstein – com a colaboração de Howard Koch – nas vésperas das filmagens, tornando a discussão sobre os caminhos que seriam dados à obra quase pública. Ingrid Bergan chegou a comentar tempos depois: “todos os dias nos entregavam diálogos e tentávamos pôr algum sentido naquilo”. Não é uma declaração exagerada, e faz pensar que a história sobre o roteiro de Casablanca também poderia ter dado um ótimo roteiro.

A última grande polêmica no roteiro foi sobre seu final. E o cinema agradece até hoje pela sábia decisão tomada – não sei quem ganhou a discussão, mas ganhou pela vida inteira – de se deixar Rick a ver navios (um avião, no caso).

O filme é datado de 1942 e devo dizer, não houve até hoje nada, nem ninguém que lhe tirasse o posto de melhor romance de todos os tempos.


Para quem conhece a obra, pode confirmar o quanto suas cenas eternizadas e no Marrocos emocionam e cativam, deixando seus telespectadores com vontade de amar. Aos que ainda não tiveram tamanho prazer, fica a dica de uma verdadeira história de amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário