sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PicNic (Férias de Amor)


Há certos filmes que marcam por pequenos detalhes na composição da história contada. A química entre os protagonistas, a beleza da imagem, a sutileza na contravenção dos costumes, um certo romantismo realista, onde o que se propõe é contar uma grande história de amor. “Picnic”, ou “Férias de Amor” na tradução brasileira do título, de Joshua Logan, reúne estes detalhes que lhe dão a dimensão de uma doce e contundente narrativa, satisfazendo o espectador, que ao final, tem a certeza de ter assistido uma boa história, sem a pretensão das grandes produções, ou do filme cultuado.
William Holden, apesar de ser criticado na época por ter dez anos a mais do que a personagem, compõe um sensual, sedutor e atormentado Hal Carter, numa interpretação única, que, ao longo do tempo, vem sendo reconsiderada pelos que se lhe admiram a obra. Kim Novak é de um esplendor mágico,sendo irradiada por sua infinita beleza juvenil. Juntos, os atores compõem um dos mais belos casais românticos do cinema dos anos cinqüenta.
Picnic” é o retrato absoluto de um modo de vida da sociedade do interior dos Estados Unidos naquela década. A beleza da fotografia, realizada por James Wong Howe, é realçada pela excelente trilha sonora, com efeitos que sublinham a tensão e a emoção ao fim de cada frase, de cada diálogo mais intenso, dando uma dramaticidade visual que se remete clímax teatral. A atmosfera sensual paira no ar, em um erotismo sutil, que subverte os costumes da época, revelados na antológica cena de dança de Hal e Madge; no dorso nu de William Holden; na seminudez de Kim Novak nos vestiários. O torpor irradiado entre o casal que durante todo o filme tentam fugir da atração irremediável que os impele, faz com que se espere o beijo a cada cena, a cada olhar sutilmente trocado, cada sedução, num ápice final irreversível.
Picnic” é um clássico do filme romântico, é daqueles filmes que longe de querer ser mítico, mantém um ritmo que prende o espectador até a última cena, trazendo ao final, a satisfação de que se assistiu a uma agradável história, com uma emoção à flor da pele. Faz-nos sonhar com os anos cinqüenta, com as belezas sedutoras extintas pelo tempo de William Holden e Kim Novak, em um momento que se eterniza a juventude através da imagem. É, acima de tudo, uma belíssima e comovente história de amor.

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