terça-feira, 30 de novembro de 2010

Clube da Luta!



“A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas. Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis. Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Não temos uma Guerra Mundial. Não temos a Grande Depressão. Nossa Guerra é a espiritual, nossa Grande Depressão são nossas vidas. Fomos criados pela TV para acreditar que um dia seríamos milionários e estrelas de cinema. Mas não seremos. Aos poucos tomamos consciência desse fato. E estamos muito, muito putos com isso.”

É com esse discurso que Tyler Durden (Brad Pitt) abre mais um encontro semanal do Clube da Luta. Na origem dessa revolução underground está a vidinha insípida de um funcionário de colarinho branco (Edward Norton), preso nos encantos de uma vida materialmente confortável, porém, moralmente dúbia e superficial. Casamento, emprego – nada disso lhe completa. Seu vazio existencial lhe dá uma insônia tenebrosa que já dura meio ano. Esse personagem sem nome de Norton (boa sacada, já que ele poderia ser qualquer um) finalmente encontra seu “sonífero” freqüentando grupos de ajuda. Tuberculose, alcoólicos anônimos, testículo de câncer: pense, e ele já foi... Mas sua paz dura pouco. Ela acaba no exato minuto que ele conhece Marla Singer (Helena Bonham Carter), uma “impostora” que nem ele. Coincidência ou não, surge um Yang para balancear esse Yin incômodo: Tyler Durden, um gênio da subversão que funda num porão imundo o revolucionário clube de boxe que tanto falamos. De uma catarse coletiva em forma de pancadaria, o Clube acaba evoluindo para... Ná... Vejam o filme!


Como muitas obras marcantes e contestadoras, o Clube da Luta passou incompreendido por muitos. Teve gente que – burramente – achou que o filme era fascista, ou que se resumia à porrada e atavismo hi-tech. Não é nada disso. Assim como outros clássicos o filme trata da rejeição de uma geração dos valores falidos de uma outra. Vejo refletido no filme a minha própria insatisfação – e a de muita gente que conviveu comigo – com essa sociedade hipermoderna, que coloniza nossa subjetividade sem tréguas. Isso sim é fascismo – ou, nas palavras de Gilles Lipovetsy, “um totalitarismo light.”

A curta estadia de Clube da Luta no Brasil foi abalada por causa de um estudante de medicina – baiano, por sinal – que resolveu disparar na platéia durante uma das sessões do filme no cinema do Morumbi Shopping (SP). É “curioso” como a mídia conservadora sempre usa desses eventos trágicos – e aleatórios – pra abafar com sensacionalismo a mensagem subversiva desse libelo anticapitalista. E se o tiroteio tivesse acontecido em Toy Story 3, quem seria o bode expiatório? Culpem a psicose do rapaz, não o filme...

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