quarta-feira, 26 de maio de 2010




Era um domingo de sol. Um domingo de sol tão forte, que culpei minha própria natureza feminina por estar sozinha e não ter nada pra fazer naquele dia, e xingando um bom tempo,me vesti de menininha,com sandálias altas e bolsa da moda e resolvi me dar um dia de folga dentro de uma livraria. Quando eu sentei, ele já estava lá. Jogado na mesa, com um ar blaseé,quase que rindo de mim. Cheguei perto,olhei de rabo de olho,parei um segundo e não conseguindo me conter,me arremessei sobre o livro e o tomei pelos braços como se ele sempre tivesse sido meu. Só meu. A ironia é que eu nunca tinha ouvido falar dele e que a autora,me causava raiva só de ouvir falar. Mas quando eu abri, ela estava lá. A Ana, a MINHA Ana, dentro da MINHA história vivendo as MINHAS paixões e o MEU tédio. O livro, é “Vergonha dos pés” da Fernanda Young. A história, é a história da minha vida, a história da MINHA Ana,personagem idealizada e igual até no nome, que apenas imagina as histórias, mas não consegue colocá-las no papel. Grande escritora de merda eu sou. Grande escritora de merda, que imagina um romance completo, personagens devidamente nomeados e com personalidade formada e ironicamente plagiados. Eu não plagiei, eu não pedi para isso acontecer,mas quando eu cheguei lá, ele já estava me esperando, me fazendo língua e me apontando a minha terrível decadência literária. E então eu voltei para casa em um dia cinza, carregando nas costas o peso e o tédio das duas Anas,e pior que isso,carregando o meu. Eu não comprei o livro. Talvez por medo, talvez por raiva,talvez por insegurança, talvez...

Mas não consigo me imaginar nem mais um dia sem ele. Enquanto isso a minha Ana continua presa dentro de mim.



E agora um pouco da Ana da Fernanda...

“Ana, a personagem central de Vergonha dos Pés, alimenta o sonho de ser escritora. Ela cria histórias fantásticas, imagina tramas sórdidas, elabora diálogos. Mas tudo se passa somente em sua cabeça. Suas histórias jamais chegam ao papel.Vergonha dos Pés, é uma atordoante viagem aos pensamentos de Ana. O encontro com Jaime, a paixão fulminante entre os dois, o tédio que lhe provoca a vida universitária aparecem entremeados aos personagens que existem somente em sua imaginação, vivendo emoções extremadas, não muito diferentes das da própria Ana.”

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